Guia Turístico

A Cidade de São Tomé Tem um Forte de 1575 e um Festival de Jazz e Ambos Estão Igualmente Vivos

Sao Sebastian
Ian Shimenga8/3/2026

A cidade de São Tomé tem cerca de 70.000 habitantes — uma capital pequena e intimista para os padrões africanos. É perfeitamente possível percorrer o centro histórico a pé numa manhã, com paragens para café, para fotografias e para conversas com os locais. Mas a riqueza não está na quantidade de atracções; está na autenticidade das experiências, no ritmo descontraído, na mistura de influências portuguesas, africanas e brasileiras que se reflecte na arquitectura, na música, na comida e no modo de falar.

Um dia completo na cidade de São Tomé

Comece às seis da manhã. O Mercado de Peixe, na zona da Avenida Marginal, está no seu auge: os pescadores chegam com as canoas ainda molhadas, descarregam caixotes de plástico azul cheios de gata, pargo, garoupa, atum albacora, às vezes espadarte ou lula. O ar cheira a sal e a mar, e as conversas em crioulo preenchem o espaço. É um dos melhores momentos para sentir o ritmo real da cidade, antes que o sol fique demasiado forte.

A Fortaleza de São Sebastião — construída em 1575 pelos portugueses e hoje sede do Museu Nacional de São Tomé e Príncipe — é o segundo destino obrigatório. Do alto das muralhas tem-se uma vista magnífica sobre a baía, com os barcos de pesca ancorados, a Ilhéu das Rolas ao longe e, nos dias claros, a silhueta do Príncipe no horizonte. O museu, embora modesto, tem colecções interessantes de arte sacra, objectos do quotidiano das roças, fotografias antigas e uma secção dedicada à história da escravatura — que em São Tomé teve contornos particularmente intensos.

O Mercado Municipal, no coração da cidade, vende de tudo: frutas tropicais empilhadas em pirâmides coloridas — manga, papaia, maracujá, ananás, caju, banana —, especiarias, artesanato, tecidos estampados e, nas barracas do fundo, pequenas refeições rápidas. Prove um caldo de peixe, ou simplesmente a fruta fresca: o maracujá roxo e a manga de polpa alaranjada atingem em São Tomé níveis de doçura que raramente se encontram na Europa.

A Avenida Marginal, à beira-mar, concentra alguns dos edifícios coloniais mais bem preservados, com fachadas de tons pastel — amarelo, azul claro, rosa antigo — e varandas de madeira trabalhada. Ao fim da tarde, a Marginal enche-se de famílias que vêm ver o pôr do sol sobre o oceano. À noite, os bares com música ao vivo tocam puíta, morna ou funaná — ritmos crioulos que combinam influências portuguesas, africanas e brasileiras.

O Festival Internacional de Jazz de São Tomé

Entre Junho e Julho de cada ano, a cidade de São Tomé transforma-se num grande palco a céu aberto. O Festival Internacional de Jazz traz músicos de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique e de vários países da África Ocidental para actuar junto ao mar, na zona da Fortaleza e da Avenida Marginal. Os concertos são maioritariamente gratuitos e abertos a todos, criando uma atmosfera de festa popular onde se misturam turistas de várias nacionalidades com famílias santomenses, crianças a correr, vendedores ambulantes e uma alegria genuína. A Noite de Fados e Puíta — em que o fado português e a puíta santomense partilham o mesmo palco, cantando a mesma saudade — é descrita por muitos visitantes como a noite mais bonita das suas vidas. Para quem pode programar a viagem para coincidir com o festival, a experiência multiplica-se por dez.

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