
Enquanto São Tomé, a ilha principal, já tem alguma infraestrutura turística — estradas asfaltadas em grande parte da costa, hotéis na capital, restaurantes com menu fixo —, a vizinha ilha do Príncipe parece congelada no tempo. Mas não congelada no sentido de abandonada ou decadente. Congelada no melhor sentido possível: aquela sensação de que o mundo ainda não chegou ali com a sua pressa, os seus conjuntos de apartamentos de férias e as suas filas de trânsito. O Príncipe é muito mais pequeno do que São Tomé: cerca de 140 km² de área, uma população que mal ultrapassa os 7.000 habitantes. Toda a ilha foi classificada como Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2012 — o que impõe restrições rigorosas ao desenvolvimento e protege tanto os ecossistemas terrestres como os marinhos. Menos de 5.000 turistas por ano visitam o Príncipe. No Príncipe a palavra «multidão» não faz qualquer sentido.
O que fazer no Príncipe
Praia Banana — Justamente a mais famosa do arquipélago. A sua forma curva e simétrica, a areia branca e fina, o contraste violento entre o azul-turquesa da água e o verde-escuro da selva que desce até à praia, tornam-na uma das praias mais fotogénicas do Atlântico. O acesso é feito de barco a partir do Bom Bom Resort ou de pequenas embarcações alugadas em Santo António. Não há qualquer infraestrutura — nem barracas, nem espreguiçadeiras, nem casas de banho. É apenas areia, água e selva.
Bom Bom Island Resort — Para muitos, a razão principal para visitar o Príncipe. Dezoito chalés de madeira sobre palafitas, alguns parcialmente sobre a água, com vista directa para a Baía das Agulhas. O centro de mergulho é PADI certificado e oferece algumas das melhores condições do Golfo da Guiné, com visibilidade que pode chegar aos 30 metros entre Dezembro e Março.
Pico Cão Grande — O ícone geológico do Príncipe: um pitão vulcânico de rocha basáltica que se ergue abruptamente do meio da floresta a mais de 600 metros de altura. A subida ao topo é técnica, reservada a alpinistas experientes com equipamento específico, mas a aproximação até à base já oferece vistas espectaculares e oportunidades de observação de aves endémicas que vivem nas encostas escarpadas.
Roça Sundy — Uma das mais antigas do Príncipe, recentemente restaurada como hotel de charme. Foi aqui que, em 29 de Maio de 1919, o astrónomo Arthur Eddington observou o eclipse solar total que confirmou experimentalmente a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein — um dos momentos mais importantes da história da ciência do século XX. Dormir na Roça Sundy é dormir dentro dessa história, num quarto colonial com tectos altos de madeira e mobília de época, rodeado pela selva e pelo som dos insectos nocturnos.
O snorkel e mergulho no Príncipe
O snorkel e o mergulho no Príncipe são de qualidade excepcional. Os recifes estão saudáveis, as águas são claras, e a vida marinha é abundante: tartarugas, raias, cardumes de peixes tropicais e, fora da época, a possibilidade de avistar baleias-corcunda. Os locais de mergulho mais famosos incluem a Baía das Agulhas, com as suas formações rochosas subaquáticas, e a zona do Bom Bom, onde o recife é acessível mesmo para quem faz snorkel pela primeira vez.
Como organizar a viagem
A ligação entre São Tomé e o Príncipe é feita por voos domésticos da STP Airways, com duração de cerca de 35 minutos. Os aviões são pequenos — geralmente turboélice com capacidade para pouco mais de uma dezena de passageiros — e as condições meteorológicas podem atrasar ou cancelar partidas, especialmente durante a época das chuvas. É importante incorporar flexibilidade no itinerário e não marcar voos internacionais no mesmo dia do voo doméstico de regresso. O Príncipe não é para todos. Mas para aqueles para quem é, é inesquecível.
