
Enquanto muitos destinos tropicais se tornam saturados — balneários transformados em condomínios fechados, praias concessionadas a cadeias de espreguiçadeiras, vilas piscatórias convertidas em bairros de turismo —, São Tomé e Príncipe mantém a sua essência. O governo comprometeu-se publicamente a manter os números baixos: a meta oficial é não ultrapassar os 50.000 visitantes por ano até 2028. Para comparação, Cabo Verde recebeu quase um milhão de turistas em anos recentes. Cinquenta mil é um número ínfimo — um segredo bem guardado. Significa que em 2027, e provavelmente por muitos anos depois, vai continuar a ser possível ter praias praticamente só para si, caminhar no Parque Natural do Obô sem encontrar outro grupo, observar tartarugas sem dezenas de pessoas à volta, e sentir aquela rara sensação de descoberta que o turismo de massas já não consegue oferecer.
O que vai mudar até 2027
Novas roças ecológicas estão a ser restauradas no interior da ilha, oferecendo mais opções de alojamento autêntico para quem quer fugir da costa. O circuito do chocolate vai expandir-se de forma controlada, com mais pequenos produtores a abrir as suas portas a visitantes. A oferta de experiências comunitárias no sul vai aumentar, diversificar e profissionalizar-se. E a conectividade com o Príncipe vai melhorar ligeiramente, com mais voos semanais e horários mais fiáveis.
Outras mudanças são inevitáveis e nem todas positivas. Os preços, especialmente do alojamento, vão subir. As zonas mais populares vão ficar mais ocupadas na época alta. A pressão para construir mais resorts e mais infraestrutura vai aumentar. O governo até agora tem resistido, com política clara de protecção ambiental e de limitação do crescimento. Mas a pressão é real, e o futuro depende da manutenção desta coerência política.
O que não vai mudar — e porque visitar em 2027
O que não vai mudar, espera-se, é o essencial: o carácter das pessoas, a sua gentileza, a sua abertura. A beleza natural protegida pelo Parque Natural do Obô e pela Reserva da Biosfera do Príncipe. A cultura crioula viva e pulsante, que resistiu a séculos de colonização e exploração. O ritmo lento que obriga o visitante a desacelerar, a respirar fundo, a estar presente. São Tomé e Príncipe não vai ser o próximo «destino da moda» com voos low-cost e resorts por todo o lado — pelo menos enquanto as decisões certas forem tomadas.
Visitar São Tomé e Príncipe em 2027 é visitar antes que o mundo descubra em massa. É ver o lugar numa altura de transição — já mais preparado do que há dez anos, ainda não massificado. É beneficiar de melhores infraestruturas sem perder a autenticidade. É apoiar um modelo de turismo sustentável que merece ser apoiado. E é, acima de tudo, dar a si próprio o presente de uma viagem que provavelmente vai mudar a sua ideia do que uma viagem pode ser. A janela de oportunidade para visitar um destino que ainda tem autenticidade mas já tem conforto é estreita — e é agora.
